
CULTURA
Manifesto Autárquico

A arte e a partilha de culturas estão intrinsecamente ligadas à história, ao património e à realidade social existente na cidade de Lisboa. Acreditamos que a vitalidade citadina, a inovação e a própria democracia dependem da liberdade artística. Para proporcionar esta liberdade, o Estado deve ser chamado a apoiar e estimular a criação e o consumo de bens e serviços culturais.
Na ambição de uma Lisboa aberta e virada para o mundo, também na área do turismo a Cultura pode desempenhar um papel crucial de suporte ao desenvolvimento económico do município e do país. Uma capital de identidade e matriz europeia como a nossa tem de ambicionar ser um polo cultural com ainda mais expressão.
Pretendemos um setor cultural democrático, em que todos tenham acesso à aprendizagem e aos benefícios da cultura. Precisamos de reduzir os custos associados à produção de obras, estimular a criação de espaços que sirvam e potenciem as especificidades do meio e uma cidade de partilha de ideias e conhecimentos, num ambiente de liberdade e cooperação.
Nas reuniões com Associações e outras entidades ligadas a este ramo, identificámos que a oferta cultural na cidade de Lisboa encontra-se relativamente centralizada na zona histórica e pouco distribuída por outras freguesias. Faltam espaços disponíveis para grupos artísticos, há pouco apoio à capacidade de sustentabilidade dos projetos, registando-se elevadas “taxas de mortalidade” precoce, e falta alguma articulação entre a cultura e os outros pelouros.
Para concretizar esta ideia de uma cultura democrática, no acesso e no conteúdo, propomos:
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Descentralizar a cultura através da criação e promoção de novas incubadoras de arte;
À semelhança das incubadoras já existentes, como o Espaço Boutique da Cultura, em Carnide, propomos que se atribua a gestão de espaços e serviços a Associações Culturais com laços ao território, que assumem a função de garantir formação e de espaços de produção artísticas acessíveis, numa ligação direta com o desenvolvimento pessoal e social dos membros da comunidade. Consideramos que a implementação desta estratégia deve dar primazia a territórios abrangidos pela classificação “BIP-ZIP”, por serem aqueles que, geralmente, mais carecem de oportunidades ao dispor da comunidade.
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Repartir as datas de candidaturas a apoios camarários em vários períodos;
A existência de um prazo único prejudica grupos mais pequenos, que não têm a capacidade de antecipação de projetos, beneficiando Associações mais consolidadas, sobretudo financeiramente.
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Contratar técnicos camarários com funções de articulação entre as políticas municipais e o trabalho feito pelas Juntas de Freguesia, tal como se fez na área do desporto;
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Alargar o horário de visitas gratuitas a museus aos domingos e feriados;
Exercer influência junto do Governo e da Direção Geral do Património Cultural no sentido de estender o período de visitas gratuitas a museus aos domingos e feriados para as 17h00, ao invés das 14h00 atualmente em vigor. Com esta proposta, pretendemos democratizar e incentivar o acesso à cultura.

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Estender o horário de funcionamento dos museus até ás 20h00;
Defender do junto do Governo e da Direção Geral do Património Cultural a extensão dos horários dos museus até mais tarde, de modo a permitir a visita durante a semana após o horário de trabalho e de estudos.
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Estender a atual gratuitidade de entrada em museus, a titulares de autorização de residência temporária;
Considerando que a cultura é um dos melhores meios para a inclusão e partilha de ideias num mundo globalizado, a atual gratuitidade restrita a cidadãos com residência permanente em Portugal deve ser estendida a cidadãos com residência não permanente, garantindo assim o igual acesso à cultura, em particular àqueles que estão numa situação de cidadania mais precária.
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Permitir que os grupos mais pequenos utilizem espaços da EGEAC de forma gratuita;
A implementação desta proposta poderá ser feita mediante a criação de concursos de ideias inovadoras, sendo que algumas das obras selecionadas poderiam trabalhar um espetáculo ou exposição num edifício da EGEAC, durante um período de tempo definido por esta entidade.
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Lançar uma campanha de comunicação para a divulgação da existência de companhias de teatro amadoras;
O objetivo é tornar mais visível a existência de companhias de teatro amadoras, de forma a informar os moradores da cidade e motivá-los a fazerem parte destas associações.

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Realizar um concurso de arte para as escolas, à semelhança do bom trabalho desenvolvido no concurso de Desporto da CML, as “Olisipíadas”;
Pretendemos dinamizar a Cultura no meio escolar, estimulando a participação de todas as escolas do concelho de Lisboa, e atribuindo apoios e prémios de participação para investimentos em bens ou serviços culturais proporcionados aos alunos. O concurso decorreria com várias fases, e cada uma dessas fases aconteceria através de fóruns centralizados, em que, para além da exposição das obras a concurso, seriam organizadas palestras e workshops.
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Melhorar a comunicação e divulgação de fundos de apoio à cultura pela CML;
Muitas associações não têm conhecimento de fundos disponibilizados pela CML e a que têm direito. Para garantirmos uma plena execução da estratégia camarária, é essencial que os montantes de fundos previstos sejam divulgados junto dos seus potenciais beneficiários.
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Criar, em parceria com as juntas de freguesia, uma bolsa destinada a apoiar os “artistas de rua” mediante concurso;
De forma a promover a música e a arte na rua e nas praças da cidade, apoiar as artistas locais e dirimir a situação de carência económica de alguns destes artistas.
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Pugnar junto do ministério da cultura pela extenção do limite de idade de acesso à Torre do Tombo;
Respondemos assim ao problema de muitos alunos que frequentam o ensino superior não terem ainda acesso a este arquivo por serem menores de idade. Entendemos que a Torre do Tombo é um espaço de conhecimento e um verdadeiro reservatório da História que pode e deve ser acessível a estudantes.
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Criar um roteiro pelas ruas e avenidas da cidade para valorização do património histórico e cultural da cidade;
Muitos jovens estudantes não conhecem muitas das personagens e momentos históricos da cidade. Deste modo através de um roteiro pedonal, permite-se um conhecimento maior da cidade, dos seus atores e eventos da história portuguesa.